terça-feira, 8 de julho de 2014

A batalha dos famintos

Sete horas da manhã, tive que levantar: a Filó chorava desesperada na cozinha e eu tinha que arrumar um jeito de poupar o sono dos vizinhos.
Já fazem cinco dias que ela está aqui em casa, mas essa foi a primeira noite que enclausuramos ela na cozinha. Na minha cabeça aquele choro dizia: "oooohhh meu deus!! onde estou?? o que aconteceu com o mundo de lá? cadê o sofá?? preciso de espaço! minha mãe me abandonoooouu!"
Dei o ar da graça certa de que me vendo o desespero dela diminuiria. Só que não. Andava de um lado pro outro, se enroscava no banco que estava deitado no chão atravancando seu caminho, passava no meu colo e já ia saindo desnorteada.
A primeira tentativa de acalmar o bicho foi dar a (adorada) meia pra ela morder e tentar ensaiar uma massagem pra acalmar e fazer dormir. Nem o spa zen foi útil nesse momento.
Então, desce. Vai pra lá, vem pra cá, uma mordida no calcanhar, uma ralhada pra reprimir o comportamento inadequado. Já que estamos aqui, por que não um café?
Café feito, leite esquentando. Enquanto isso, dei uma olhada no saldo escatológico da noite: vitória! Xixi e cocô no jornal, como manda o figurino. Dois cocôs até! Melhor tirar o jornal sujo antes que ela pisasse. Pausa pro memorando: leite esquentando. Mas como a Filó já tinha percebido o movimento lúdico nos jornais, melhor era terminar logo o serviço. Pra ela não vir brincar no meu serviço, fechei atrás de mim a porta da lavanderia e o óbvio aconteceu: leite subindo por cima da leiteira, dona correndo, cachorro aproveitando pra se divertir no jornal.
O cheiro que veio da geladeira quando abri a geladeira pra pegar o leite tinha deixado ela enlouquecida, tanto que ficava choramingando cheirando os três cantos disponíveis da geladeira em busca de um buraco pra entrar de vez e desbravar aqueles aromas. "Filó, essa não é sua comida. Você vai comer a sua daqui a pouco." A tática é alimentar ela só lá pelas 8, pra que eu não seja acordada tão cedo pelo leão faminto.
Vai pra lá, vem pra cá, tentamos uma nova estratégia, roer ossinho pra distrair a lamurienta. Ufa! Deu certo, energia de sobra sendo gasta em algo. Nossa, como parecia gostoso. Gostoso num nível matando a fome de gostoso. Wait a minute...
Derramo a ração no pote e a Filó já vem enfiando as duas patinha no pote. Come, come, come, enquanto eu lavo a louça e o fogão, lambusado de leite. Comeu, foi pra cama morder seu brother de pelúcia e dormiu. Era só fome o desespero da danada!
Uma mãe mais experiente teria solucionado o problema de cara e estaria de volta na cama uns 40 minutos antes, mas a mãe inexperiente que sou eu aprende a lidar com um problema de cada vez.

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